O Galo parecia morto, ressuscitou nos acréscimos e Gabriel Delfim decidiu a classificação com três defesas nas penalidades
Tem jogo de futebol que termina e você precisa de alguns minutos para lembrar como foi que tudo aquilo aconteceu.
Atlético-MG e Santos fizeram exatamente isso.
Depois de perder por 2 a 0 na Vila Belmiro, o Galo precisava devolver a diferença na Arena MRV. E devolveu. Só que não foi daquele jeito tranquilo, com direito a café e cochilo.
Foi no estilo Libertadores… quer dizer, Sul-Americana raiz.
O Atlético venceu por 4 a 2 no tempo normal, igualou o agregado em 4 a 4 e levou a decisão para os pênaltis. E quando chegou a hora da verdade, apareceu Gabriel Delfim, que defendeu três cobranças e virou o grande herói da classificação atleticana.
O jogo começou com o Atlético apertando o botão do desespero
O Santos havia vencido o primeiro jogo por 2 a 0 e chegou a Belo Horizonte com uma vantagem confortável.
Só que o Atlético precisava de apenas 18 segundos para mostrar que aquela vantagem talvez não fosse tão confortável assim.
Bernard aproveitou uma falha da defesa santista e abriu o placar praticamente antes de todo mundo conseguir se ajeitar no sofá.
Atlético-MG 1 x 0 Santos.
O agregado agora estava:
Santos 2 x 1 Atlético-MG.
A Preguiça mal tinha aberto a pipoca.
Reinier aparece e o Galo empata o confronto
O Atlético continuou pressionando.
Aos 20 minutos, Fred encontrou Reinier, que finalizou com categoria para marcar o segundo.
2 a 0.
Agora o agregado estava empatado em 2 a 2.
E o Santos começava a perceber que aquela viagem para Belo Horizonte poderia ser bem mais longa do que o previsto.
Só que o Peixe não estava disposto a simplesmente assistir ao Galo fazer a festa.
Aos 29 minutos, Lyanco desviou contra o próprio gol após cobrança de falta de Rollheiser.
2 a 1.
O Santos diminuía a vantagem no jogo.
Mas o drama ainda estava apenas aquecendo.
Reinier de novo!
Se tem alguém que resolveu levar a sério a missão de colocar o Atlético de volta na disputa, esse alguém foi Reinier.
Aos 41 minutos do primeiro tempo, Renan Lodi lançou o meia, que teve categoria para tocar na saída de Brazão.
3 a 1 Atlético-MG.
Agregado:
3 a 3.
O jogo já tinha quatro gols.
E ainda tinha segundo tempo.
A Preguiça começou a considerar seriamente a possibilidade de assistir ao restante do jogo deitada no chão.
Gabigol aparece e coloca o Santos de volta na frente
O segundo tempo começou com o Santos tentando reagir.
E conseguiu.
Aos 27 minutos, Gabigol recebeu, dominou com categoria e bateu de trivela para marcar um belo gol.
Atlético-MG 3 x 2 Santos.
No agregado:
4 x 3 para o Atlético.
Ou seja: o Santos estava novamente a apenas um gol de eliminar o Galo.
E o relógio já começava a entrar naquela região perigosa dos minutos finais.
47 minutos do segundo tempo…
Aqui entra aquela parte em que o torcedor deveria ter recebido acompanhamento médico antes de assistir.
O relógio marcava 47 minutos.
O Atlético precisava de um gol.
O Santos precisava apenas sobreviver.
E então apareceu Tomás Cuello.
Após cruzamento de Castaño, Cuello cabeceou para o gol e fez:
ATLÉTICO-MG 4 x 2 SANTOS.
Agregado:
4 x 4.
O gol levou a decisão para os pênaltis.
A Arena MRV explodiu.
O Santos, que estava praticamente comemorando a classificação minutos antes, agora teria que decidir tudo na marca da cal.
E aí…
entrou em cena Gabriel Delfim.
Gabriel Delfim simplesmente decidiu virar o protagonista
Pênaltis.
Aquela modalidade esportiva criada especificamente para testar o coração do torcedor.
O Atlético começou convertendo com Gustavo Scarpa.
Mas Delfim já mostrou que não estava ali para participar.
O goleiro defendeu a cobrança de Gabigol.
Depois, parou também João Schmidt.
O Santos ainda conseguiu marcar com Bontempo.
Fred perdeu para Brazão.
Mas Delfim ainda teria mais uma participação decisiva.
O goleiro defendeu a cobrança de Arthur.
Três defesas.
TRÊS.
No fim, o Atlético-MG venceu a disputa por 3 a 1 e garantiu a classificação para a semifinal da Sul-Americana.
De substituto de Everson a herói da noite
E talvez essa seja uma das histórias mais interessantes da classificação.
Gabriel Delfim entrou em campo porque Everson não estava disponível.
E terminou a noite como o homem que colocou o Atlético-MG na semifinal.
Aos 24 anos, o goleiro formado no clube assumiu uma responsabilidade gigantesca e simplesmente decidiu a disputa.
O Atlético precisava de um herói.
Delfim se candidatou ao cargo e foi aprovado com louvor.
O Santos caiu de pé… mas que queda!
O Santos chegou a Belo Horizonte com uma vantagem de dois gols.
Conseguiu marcar duas vezes no jogo de volta.
Ficou muito perto de suportar a pressão.
Mas sofreu o quarto gol nos acréscimos e depois não conseguiu superar Delfim nos pênaltis.
É aquele tipo de eliminação que provavelmente vai fazer o torcedor santista olhar para o teto durante alguns minutos pensando:
“Era só segurar mais um pouquinho…”
O Galo está na semifinal!
Depois de uma noite completamente insana, o Atlético-MG está na semifinal da Copa Sul-Americana pelo segundo ano consecutivo.
O adversário será definido entre Cienciano e Montevideo City Torque.
Mas, antes de pensar na semifinal, a torcida atleticana provavelmente vai precisar de um período de recuperação.
Porque o jogo teve:
- gol com 18 segundos;
- seis gols;
- virada;
- gol nos acréscimos;
- agregado empatado;
- disputa de pênaltis;
- três defesas do goleiro;
- e classificação.
Tudo isso em uma única noite.
🐌 Ranking da Preguiça
Drama: 🔥🔥🔥🔥🔥
Sofrimento: 😰😰😰😰😰
Chance de o torcedor ter roído todas as unhas: 100%
Herói: Gabriel Delfim 🧤
Funcionário do mês: Tomás Cuello
Momento mais cruel: gol aos 47′ do segundo tempo
Prêmio “era só não sofrer”: Santos
Prêmio “eu acredito até o fim”: Atlético-MG
No fim das contas, o Galo sobreviveu.
E Gabriel Delfim fez o seu nome.
Aquele futebol que dá até preguiça de comentar.
