A Preguiça descobriu que, quando um jogador é vendido por milhões, não é simplesmente “o clube recebeu a bolada e foi comprar outro jogador”.
Você vê a notícia:
“Jogador é vendido por R$ 100 milhões.”
A primeira reação é:
“Caramba! O clube ficou rico!”
Calma, torcedor.
A matemática do futebol tem mais curvas que drible de ponta habilidoso.
O valor de uma transferência pode envolver clube vendedor, clube comprador, jogador, empresários, mecanismos de solidariedade, cláusulas contratuais e outros custos.
Então vem a pergunta:
Afinal, quem fica com o dinheiro da venda?
🦥 A Preguiça explica: o jogador não é vendido
Antes de tudo, existe uma diferença importante.
Quando falamos que um jogador foi “vendido”, isso não significa que o clube está vendendo a pessoa.
Calma, torcedor! Antes de descobrir quem fica com os milhões, precisamos entender como essa negociação acontece. 🦥⚽ A Preguiça já explicou isso em detalhes em [Como funciona a compra e venda de um jogador de futebol?].
O que normalmente acontece é a negociação dos direitos relacionados ao contrato do atleta entre os clubes.
Em uma transferência permanente, o novo clube e o clube anterior firmam um acordo de transferência. A própria FIFA classifica esse tipo de operação como uma transferência permanente.
E é aí que começa a famosa conta dos milhões.
💰 O dinheiro vai direto para o clube?
Em uma transferência com taxa de transferência, o valor negociado entre os clubes é destinado ao clube que detém os direitos econômicos previstos no negócio.
Imagine um exemplo:
Jogador hipotético: João Preguiça
Transferência: R$ 100 milhões
Isso não significa automaticamente que o clube vendedor terá R$ 100 milhões disponíveis para gastar.
Existem diferentes componentes financeiros que podem aparecer na negociação, como valores fixos, bônus condicionados a determinados objetivos e outros pagamentos previstos no acordo. A FIFA considera esses diferentes componentes ao tratar das taxas de transferência.
Ou seja:
R$ 100 milhões anunciados ≠ necessariamente R$ 100 milhões entrando de uma vez no caixa.
A Preguiça já começou a procurar a calculadora.
🧾 E o jogador? Ele recebe parte da venda?
Aqui existe uma confusão bastante comum.
O valor pago pelo clube comprador ao clube vendedor não é automaticamente o salário ou um prêmio destinado ao jogador.
O atleta possui seu próprio contrato de trabalho com o clube e pode receber valores previstos nesse contrato ou em um novo acordo.
Dependendo da negociação, podem existir bônus, luvas ou outras remunerações ao jogador.
Mas não funciona simplesmente assim:
Clube vende jogador por R$ 100 milhões → jogador recebe R$ 20 milhões.
Não existe uma regra geral determinando que o atleta fique automaticamente com uma porcentagem da taxa de transferência.
Tudo depende dos contratos e das regras aplicáveis.
🏦 Mas o clube vendedor fica com tudo?
Também não necessariamente.
E aqui aparece uma parte que muita gente desconhece:
Os clubes que ajudaram a formar o jogador podem ter direito a receber dinheiro.
A FIFA possui mecanismos de compensação por formação e contribuição de solidariedade, destinados a recompensar clubes envolvidos na formação de jogadores.
No caso da contribuição de solidariedade, clubes que participaram da formação do atleta podem receber valores relacionados a determinadas transferências internacionais com taxa de transferência.
Então aquele clube pequeno onde o jogador treinava quando tinha 13, 14 ou 15 anos pode acabar aparecendo nessa história.
A Preguiça descobriu que revelar jogador também pode ser um investimento de longo prazo.
🧒 O clube formador pode ganhar dinheiro anos depois?
Em determinadas situações, sim.
A FIFA utiliza mecanismos específicos para distribuir recompensas aos clubes que participaram da formação dos jogadores. O sistema inclui o chamado passaporte eletrônico do jogador, que registra o histórico de registros do atleta.
É justamente esse histórico que ajuda a identificar quais clubes podem ter direito às recompensas previstas nas regras.
Por isso, a formação de um jogador pode continuar tendo consequências financeiras mesmo depois que ele deixa aquele clube.
🧮 Vamos imaginar uma venda de R$ 100 milhões
Para deixar tudo mais simples, imagine:
João Preguiça é transferido por R$ 100 milhões.
O valor da operação pode envolver:
- 💰 pagamento ao clube vendedor;
- 🏆 bônus previstos no contrato;
- 🧒 mecanismos destinados a clubes formadores, quando aplicáveis;
- 📄 outros valores previstos nos acordos;
- ⚽ remuneração do jogador, quando houver valores contratualmente previstos.
Por isso, quando você lê:
“Jogador vendido por R$ 100 milhões”
não significa necessariamente que o clube vendedor poderá pegar exatamente R$ 100 milhões e sair gastando no mercado.
A matemática completa está escondida nos contratos.
🦥 E onde entra o empresário?
Outra dúvida bastante comum.
O empresário ou agente do jogador não simplesmente pega uma porcentagem da taxa de transferência porque o jogador foi vendido.
A remuneração do agente depende das regras aplicáveis e dos contratos firmados.
Portanto, é importante separar as coisas:
Taxa de transferência: negociação entre clubes.
Salário: remuneração do jogador pelo contrato de trabalho.
Comissão/remuneração do agente: depende da relação contratual e das regras aplicáveis.
Misturar tudo na mesma panela é receita para a Preguiça abandonar a cozinha.
🤔 E quando o jogador está sem contrato?
Aí a história muda bastante.
Se o jogador está sem vínculo contratual com o clube anterior, não existe necessariamente uma taxa de transferência entre clubes.
A própria FIFA classifica como transferência “out of contract” o caso em que o jogador não está mais vinculado contratualmente ao antigo clube e assina com outro clube de uma associação diferente sem que exista um acordo de transferência entre os clubes.
É justamente por isso que jogadores livres podem ser tão interessantes para os clubes:
não existe uma taxa de transferência a ser paga ao clube anterior.
Mas isso não significa que a contratação seja gratuita.
Salário, luvas, comissão de agente e outros custos podem existir.
🔗 E a janela de transferências?
Aqui entra outro ponto importante do nosso cluster.
Mesmo que dois clubes concordem com uma transferência, o jogador precisa ser registrado de acordo com as regras e períodos aplicáveis.
A FIFA explica que os períodos de registro variam entre as associações nacionais e que os processos internacionais passam pelo Transfer Matching System (TMS).
No Brasil, por exemplo, a CBF estabelece períodos específicos para registro e transferência de atletas. Para 2026, a entidade divulgou a primeira janela de 5 de janeiro a 3 de março e a segunda de 20 de julho a 11 de setembro para o futebol profissional masculino.
👉 Quer entender quando essas negociações podem acontecer? Confira também nosso post sobre [como funciona a janela de transferências no futebol].
🦥 Então quem fica com o dinheiro?
A resposta curta é:
Depende da estrutura da transferência.
Em uma negociação com taxa de transferência, o valor negociado é pago entre os clubes conforme o acordo. Mas a operação pode envolver diferentes componentes financeiros e, em determinadas transferências, mecanismos que destinam valores aos clubes que participaram da formação do jogador.
O jogador, por sua vez, possui sua própria relação contratual e não recebe automaticamente uma porcentagem da taxa simplesmente porque foi transferido.
Ou seja:
venda de jogador não é um PIX gigante caindo na conta do clube vendedor.
Tem contrato.
Tem regra.
Tem formação.
Tem bônus.
Tem registro.
E provavelmente tem alguém do departamento financeiro olhando para uma planilha de 48 abas.
😂 A Preguiça resumiu
Imagine que o jogador foi vendido por R$ 100 milhões.
A manchete diz:
“R$ 100 MILHÕES!”
A Preguiça:
“Eita! Vou comprar um sofá novo!”
O departamento financeiro:
“Calma.”
O clube formador:
“Calma.”
O jurídico:
“Calma.”
O contador:
“CALMA.”
E a Preguiça:
“Então esses R$ 100 milhões eram só o começo da conversa?”
Exatamente.
🦥 A Preguiça explica o futebol
Agora que você já sabe quem pode receber dinheiro quando um jogador é vendido, fica mais fácil entender outras partes do mercado da bola.
No nosso próximo passo desse universo, podemos explicar quanto o jogador realmente ganha quando é vendido — porque essa é outra pergunta que parece simples, mas tem bastante coisa escondida.
Aquele futebol que dá até preguiça de comentar.

