Botafogo leva seis gols no Peru e transforma a altitude de Cusco em desculpa oficial para uma noite para esquecer
Tem jogo que você termina e pensa:
“Preciso analisar isso.”
E tem jogo que você termina e pensa:
“Não. Obrigado. Vou dormir.”
O Botafogo 6 x 1 Cienciano — quer dizer, Cienciano 6 x 1 Botafogo, porque aparentemente até a ordem dos times merece ser conferida depois dessa noite — foi exatamente esse segundo caso.
Pela ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana 2026, o Botafogo foi até Cusco, encarou mais de 3.300 metros de altitude e voltou para o Rio precisando de um milagre depois de uma das atuações mais constrangedoras de sua temporada.
E olha… altitude realmente dificulta a vida.
Mas tomar seis gols também costuma ajudar bastante o adversário.
O primeiro tempo foi praticamente um tutorial de como não jogar futebol
O problema é que o Botafogo não perdeu por 6 a 1 em um daqueles jogos malucos em que o time joga bem, perde 15 gols e o adversário acerta tudo.
Não.
O primeiro tempo foi uma coleção de problemas.
O Cienciano marcou quatro vezes antes do intervalo, com Matías Succar fazendo dois gols, Neri Bandiera marcando outro e Marcos Martinich completando o serviço.
Quatro.
QUATRO.
Em 34 minutos.
Nesse momento, provavelmente algum torcedor botafoguense já estava pesquisando:
“Como funciona o pedido de reembolso emocional?”
O Botafogo simplesmente não conseguiu competir.
A defesa parecia estar fazendo home office.
O meio-campo parecia ter esquecido que precisava participar.
E o ataque… bom, o ataque aparentemente estava esperando o jogo começar.
“Mas tinha a altitude!”
Sim.
Tinha.
3.400 metros de altitude em Cusco.
E obviamente jogar nessas condições é complicado. O técnico Franclim Carvalho inclusive citou a altitude depois da partida como um dos fatores que dificultaram o desempenho.
Mas existe uma pequena diferença entre:
“A altitude prejudicou o Botafogo.”
e:
“A altitude obrigou o Botafogo a tomar quatro gols no primeiro tempo.”
A segunda opção já começa a exigir uma ginástica argumentativa digna de comentarista tentando explicar aquele 0 a 0 de domingo.
O próprio zagueiro Nahuel Ferraresi reconheceu depois da partida que a equipe já sabia que as bolas aéreas eram uma das principais armas do adversário — e mesmo assim sofreu quatro gols dessa maneira.
Aí fica difícil colocar tudo na conta do ar rarefeito.
O Botafogo ainda conseguiu fazer um gol
E aqui precisamos fazer justiça.
Aos três minutos do segundo tempo, Matheus Martins marcou para o Botafogo e, por aproximadamente alguns segundos, surgiu aquela esperança de:
“Calma… vai que…”
Não foi.
O Cienciano respondeu com mais dois gols, novamente com Succar e Bandiera, e encerrou a noite com 6 a 1 no placar. Succar terminou a partida com três gols.
Foi praticamente o famoso:
“Você fez um? Então toma mais dois.”
Cienciano 6 x 1 Botafogo: quem vai explicar isso?
A atuação do Botafogo foi tão ruim que fica difícil escolher apenas um problema.
Defesa desorganizada?
Sim.
Marcação nas bolas aéreas?
Também.
Meio-campo pouco competitivo?
Com certeza.
Ataque pouco produtivo?
Presente.
Condições físicas?
Provavelmente.
Altitude?
Certamente.
Mas seis gols?
Aí já é uma reunião de condomínio inteira de problemas.
E agora, Botafogo?
O resultado deixa o Botafogo em uma situação desesperadora na Copa Sul-Americana.
Para levar a decisão pelo menos aos pênaltis, o clube precisará vencer por cinco gols de diferença no jogo de volta. Para avançar diretamente, precisará ganhar por seis.
A partida de volta será no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 20 de agosto.
Ou seja:
precisa fazer seis e não tomar nenhum.
Tranquilo.
Coisa simples.
Só precisa repetir a atuação do adversário e apagar completamente a própria atuação de ontem.
Nota Preguiça FC: 🥱 0/10
Não dá para dar uma nota maior.
Não dá.
O Botafogo conseguiu transformar uma partida de oitavas de final da Sul-Americana em um daqueles jogos que o torcedor gostaria de assistir novamente apenas para descobrir se realmente aconteceu.
E aconteceu.
Cienciano 6 x 1 Botafogo.
Seis.
Um.
No Peru.
Na altitude.
E com direito a quatro gols no primeiro tempo.
O torcedor do Botafogo pode até tentar encontrar explicações.
Pode culpar a altitude.
Pode culpar o esquema.
Pode culpar a marcação.
Pode culpar o gramado.
Pode culpar o horário.
Pode culpar Mercúrio retrógrado.
Mas uma coisa é certa:
essa foi uma daquelas atuações que dão até preguiça de comentar.
E, convenhamos…
para o Preguiça FC, isso é praticamente material de expediente. 🥱⚽
